Robinson vai mandar "lacrar" Alcaçuz, um dos maiores prejuízos da história do RN

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Os grandes empreendedores costumam enxergar nas crises, as oportunidades. No setor público, as crises são ótimas oportunidades para mostrar lambanças e desperdícios feitos no passado, e Alcaçuz é um grande exemplo disso.

Nesta quinta-feira (26), o governo do estado admitiu que pretende fechar a penitenciária. “Vou mandar lacrar Alcaçuz e vamos acabar com a sua existência amaldiçoada”, disse o governador Robinson Faria na entrevista que deu ao RNTV 1ª edição.

Até de forma irônica, Robinson disse que iria “devolver à natureza”, se referindo às dunas da região onde foi construída a penitenciária, mas que verá também a possibilidade de fazer um “parque”, para evitar invasões. A sugestão do prefeito de Nísia Floresta é a implantação de uma escola de formação profissional para o turismo, o que seria até mais simbólico.

Mas se tem uma coisa que a gente sabe fazer em momento de crise(s) é contar. Enquanto o Rio Grande do Norte conta moeda por moeda para pagar o servidor público, há quase 20 anos o governador Garibaldi Filho e o secretário de Justiça e Cidadania, Carlos Eduardo, inauguraram uma penitenciária em cima de uma duna. Foram gastos R$ 10 milhões para construção do presídio.

Em 2010, o então governador Iberê Ferreira inaugurou, no último dia do seu governo, a Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga (pavilhão 5) que, apesar de ter custado mais R$ 10,98 milhões, não poderia ser usado por inadequações na obra. A mesma, que prometia ser de segurança máxima, foi reinaugurada em outubro de 2011 e interditada novamente em julho de 2012 por problemas na rede elétrica.

Em 2015, mais dinheiro. Robinson anunciou a destinação de R$ 15 milhões para recuperar várias unidades prisionais deterioradas com a rebelião de março daquele ano. E o maior estrago foi aonde? Os quatro pavilhões de Alcaçuz foram reformados.

Tudo isso para, apenas HOJE, descobrirmos que não vale a pena construir/manter um presídio ali. Aliás, hoje não falta quem condene o prédio. Tem político defendendo até a “implosão”. Situação muito diferente de 1998, quando “ninguém contestou”, segundo Garibaldi.

Alcaçuz foi, realmente, “um grande equívoco” e precisa ser desativada. Um exemplo de como é fácil jogar fora o dinheiro público. Meu desejo é que o governo tenha boa sorte, que aproveite alguma coisa daquele lugar, e que depois de mais uma crise, a população enxergue a oportunidade de contestar.

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