Perdido : 'RN está vivendo uma guerra de facções' diz Robinson Faria

08:27:00


Para o governador Robinson Faria, a maioria dos homicídios registrados no Rio Grande do Norte neste início de 2017 tem ligação direta com o tráfico de drogas e as guerras entre as facções. Ele não expôs, porém, dados que comprovem o quantitativo de inquéritos criminais concluídos e remetidos à Justiça para julgamento dos acusados. Na entrevista abaixo, Robinson Faria analisa os números da violência e destaca que o Estado não está inerte diante da problemática. Leia abaixo.

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O que o Estado irá fazer para diminuir a ocorrência de homicídios?

Olha, essa questão dos homicídios, do aumento, primeiro: o Rio Grande do Norte é um estado que dá transparência total. Nós temos confirmação que muitos estados e até muitos países, manipulam esses números, não informam. E nós temos uma veracidade muito grande na informações desses números. Segundo ponto, até mesmo para tranquilizar um pouco a sociedade, a população: esse número assustador, que cresceu, foi em razão dessa disputa pelo comando do crime. O Rio Grande do Norte está hoje vivendo uma guerra entre facções. Então, você vê um extermínio desse, cinco mortes numa noite numa festa... Tudo isso é acerto de contas. Se você investigar, 95% ou mais dos homicídios, são todos por questão de guerra entre facções. Então, como é que o Governo vai garantir segurança para as facções, evitar que uma facção mate a outra? Eles fazem acertos dos comandos próprios e mandam fazer as execuções. E isso não tem como o Governo antever e conseguir evitar. Porque não são mortes de latrocínios. Latrocínios existem em toda a parte do mundo, mas é muito a incidência, a estatística de latrocínio dentro desse universo que é assusta pela quantidade e a população tem que saber para não causar um pânico desnecessário, um medo desnecessário, pois 95% ou mais desses assassinatos são acerto de contas. Alguns, a gente nem chega a revelar para não chocar a família, não chocar os amigos. Mas, quando o Setor de Inteligência investiga, foi acerto de contas no mundo do crime, no mundo da droga, no mundo da guerra das facções.

Essa semana o senhor se reuniu com os titulares da Sejuc, Sesed, Polícia Militar para cobrar resultados...

Resultados do ponto de vista de roubos, de arrastões, a insegurança da população. Lógico que de homicídios também. Do ponto de vista de segurança em geral, o que eu pedi foi ostensividade. Eu quero uma Polícia mais ostensiva. Eu quero mais blitz, eu quero mais policiais nas ruas, eu quero dupla de policiais, eu quero a Cavalaria na rua. Eu pedi ostensividade. Eu quero que a população perceba que a Polícia está próxima do cidadão.

O Governo está preparando o Plano Diretor do Sistema Prisional. O senhor acredita que isso vem dar um fôlego?

O Plano Diretor vai ajudar. Até porque essa violência aqui do lado de fora, também tem a motivação de dentro para fora. Essa violência que também cresce, de roubos, assaltos, é como se fosse uma vingança ao Estado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital, facção criminosa) contra o Sindicato do Crime (facção criminosa rival), porque o PCC foi isolado em intervenção em Alcaçuz e não houve ainda na parte do Sindicato do RN. O PCC está ordenando muito essa violência do lado de fora. Então, é um somatório. A segurança é uma guerra permanente entre o Executivo e a bandidagem. Mas, nós vamos enfrentar. Nós estamos evoluindo. O Rio Grande do Norte é o segundo a receber o Plano Nacional de Segurança, mas ainda não foi integralizado. O dinheiro para o pagamento das diárias operacionais dos policiais estaduais que irão trabalhar com os policiais federais ainda não chegou. Segunda-feira eu vou a Brasília e levarei requerimentos para que o Governo Federal complemente o que está faltando e que o Plano Nacional de Segurança esteja, de fato e de direito, no Rio Grande do Norte. Está faltando a integralização do Plano Nacional de Segurança no Rio Grande do Norte.

Na sexta-feira passada foi anunciado o município de Santana do Seridó como sede de duas unidades prisionais. No início desta semana, mudou para Afonso Bezerra. O que ocorreu?

Isso é o seguinte: um prazo curto, o Ministério Público cobrando do Estado uma resposta. E, às vezes na pressa, termina você cometendo erros. Santana do Seridó é um município que tinha um terreno do Governo do Estado, como tinha também aqui em Assu e na região Central, lá em Afonso Bezerra. Os terrenos que o Estado tinha disposto para não ter que comprar, desapropriar, isso demora e o prazo é muito curto. Só que descobriram que os custos da rede de energia elétrica, a parte de água lá em Santana do Seridó eram muito mais altos que em Afonso Bezerra e iria encarecer bastante o custo dos presídios. Porque o construtor iria ter que jogar para o Estado essas despesas. Então, terminou voltando para Afonso Bezerra por questão de logística, até um apelo do juiz Henrique Baltazar, que achou que lá (em Santana do Seridó), a logística para as audiências seria mais complicada. A parte de geografia de Santana era muito boa. O solo de pedra, de jazida, iria baratear a construção do presídio, mas o custo da energia e água, foram pontos negativos. Então, entre pontos negativos e positivos, terminou sendo Afonso Bezerra o melhor local para o presídio. Nada de política. Foi uma escolha técnica, sem nenhuma interferência política.

O senhor acredita que essas obras começam ainda neste primeiro semestre?

Nós queremos terminar esses presídios em seis meses. Inclusive, temos um grupo que está dialogando com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas, temos um decreto de emergência, de calamidade, prazos para que o Estado execute essas obras. E o Depen está cobrando, está aqui presente para o início dessa construção. Então, com essa boa vontade, com essa cobrança é bom para que o Estado acelere. A meta estabelecida para o grupo é de seis meses. Mas há prazos que não podem ser atropelados.

A mudança de município não inviabiliza o repasse pelo Depen?

Não, não. De jeito nenhum. O Depen até achou melhor a troca.

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