POLÍCIA ELUCIDA 50% DOS HOMICÍDIOS EM NATAL

05:58:00

Nos primeiros quatro meses do ano (de janeiro a Abril), o índice de resolutividade nas investigações de homícídios, em Natal, foi de 50,9%. Para cada dois assassinatos, um foi elucidado. De acordo com o delegado-geral de Polícia Civil, Correia Júnior, do conjunto de 210 homicídios contabilizados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed),no primeiro quadrimestre deste ano, na capital, a Polícia Civil conseguiu identificar a autoria, concluir a investigação e enviar à Justiça estadual os inquéritos relativos a 107 casos. De 1º de janeiro até a meia-noite de 28 de maio deste ano,a coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Coine), ligada à Sesed, contabiliza 1.015 homicídios. A diferença é mínima em relação aos dados do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (Obvio), que contabilizou 1.017 mortes no mesmo período. Na capital, o Obvio aponta 264 homicídios, dos quais 225 casos entre janeiro e abril.

O delegado-geral Correia Júnior considera satisfatório o índice de resolutividade das investigações de homicídios em Natal. Apesar de reconhecer que o principal problema que impede uma alta resolutividade é a falta de pessoal para tocar adiante as investigações em andamento e as futuras, o delegado afirma que todos os esforços são empregados para que a lei seja cumprida.

“Estamos com a Divisão de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) reforçada, com mais viaturas e policiais. Remanejamos policiais de outras unidades dentro do estudo de mancha criminal, onde há maior necessidade de investigação, para darmos maior andamento aos trabalhos”, explica Correia, que adiantou o reforço de pessoal em delegacias da zona Norte, através de remanejamento, para o próximo mês de junho.

Sem entrar em detalhes, o delegado-geral afirmou que o processo para a realização do concurso público para o preenchimento de vagas na Polícia Civil está “em andamento”. O edital deve ser publicado no início do segundo semestre. Inicialmente, serão 25 para delegado, 11 para escrivães e 109 agentes. Porém, Correia Júnior acredita que o número de convocados, dentro do prazo de validade do certame, será maior. Isso porque o quantitativo inicial tem como base o déficit de 2015, mas que com o aumento de aposentadorias de servidores, as vagas ociosas aumentaram.

“As delegacias do interior do estado serão reforçadas com 80% dos convocados”, destaca o delegado-geral. Atualmente, a Polícia Civil conta dispõe de um quadro 1.400 servidores, dos quais 1.250 atuam efetivamente. Por lei, segundo Correia Júnior, o órgão deveria contar com 5.150 policiais.

A participação da população também é fundamental para a elucidação dos casos. Como a maioria dos casos, segundo a Sesed, ocorrem em via pública, a colaboração de testemunhas se torna crucial para auxiliar nos trabalhos de investigação da DHPP. “É na delegacia de polícia que se começa a aplicar a Justiça. A ação penal só vai ocorrer se o cidadão procurar a delegacia. Alguém só vai ser responsabilizado se a sociedade procurar a delegacia. Sem esse apoio, nenhuma instituição policial consegue trabalhar”, reforça Correia Júnior.

O delegado-geral comenta, ainda, que a escalada nos índices de homicídios reflete a necessidade de integração não somente das instituições de segurança, mas que é preciso a união com ações voltadas à cidadania e educação. Conforme a Sesed, 25% dos crimes, de variadas naturezas e que podem ser motivações geradoras de homicídios, tem a participação de jovens com idade entre 14 e 17 anos.

“Segurança pública é questão de Estado. Temos de unir a Secretaria de Segurança, de Justiça e Cidadania, de Educação e de Esporte. Esses adolescentes estão frequentando a escola? Precisamos ter essa preocupação. Se esses jovens estiverem na escola, em tempo integral, e praticando atividades esportivas, os índices vão diminuir”, finaliza.

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