2017 : RN JÁ SOMA MAIS DE 1.400 MORTES

07:33:00



As históricas batalhas das guerras que deram origem ou expandiram nações saíram dos livros de História e se modernizaram de uma forma descontrolada e inimaginável. Criadas para defender militares em combate, as armas de fogo são hoje o principal agente causador de mortes violentas no Brasil. No Rio Grande do Norte, dos 1.442 homicídios praticados até às 12h da sexta-feira passada, 1.275 foram provocados por alguma arma de fogo – 88% do total. Agindo como combatentes às avessas, os atiradores se utilizam, segundo especialistas, da “covardia, impessoalidade e impunidade” na prática do crime de homicídio.




“A arma de fogo é o instrumento preferencial para a prática do crime. Ela quebra a emoção, pois distancia o atirador da vítima, nem sempre há o contato olho no olho, por serem armas de distância. As armas de proximidade, como as facas, por exemplo, requerem mais frieza do autor do homicídio, pois ele precisa estar mais perto da vítima”, comentou o especialista em Segurança Pública e coordenador do Obvio/RN, Ivênio Hermes. Questionado se o número maior de armas em circulação reflete no aumento dos homicídios e da criminalidade em geral, ele foi enfático. “O número de homicídios por armas de fogo cresceu muito e a tendência é de continuar crescendo. Muitas dessas armas são roubadas e o processo de recuperação delas é muito difícil”, declarou.




Para Ivênio Hermes, o Governo Federal precisa implementar um sistema mais rigoroso de controle das armas de fogo e atualizar o Estatuto do Desarmamento de maneira que não incentive a posse de armamentos, como está proposto nos projetos de lei que tramitam no Congresso Federal. “Há a descrença na Segurança Pública e uma propaganda pró-armamento. Se o Estatuto for revogado, por exemplo, vai trazer riscos e potencializar os crimes de homicídio. O Estado é faltoso com a Segurança Pública. Quando a gente se arma, a gente dá ao Estado a chance de não contratar policiais, de não investir em segurança. O Estado vai começar a se eximir da culpa”, frisou o especialista.




De acordo com o sociólogo Edmilson Lopes, os índices de violência no Brasil tendem a diminuir a partir de 2023. A diminuição, porém, não será em decorrência de maiores investimentos em Segurança Pública, mas pela dizimação da população jovem. “Estamos perdendo jovens para a criminalidade. São jovens que estão fora das escolas, do mercado de trabalho, envolvidos com crimes. O crime que restará será muito mais profissionalizado. A perda de jovens é um prejuízo muito grande para o país. Nós estamos pagando um preço por termos investido em Educação, como disse Darcy Ribeiro na década de 80”, atentou o sociólogo.

Homicídios

De 2005 a 2015, o RN aumentou também os registros de homicídios.

232% foi o aumento da taxa de homicídio no RN de 2005 a 2015;

406 pessoas foram assassinadas no RN em 2005;

1.545 pessoas foram assassinadas no RN em 2015;

280,5% é a variação do aumento, a maior do país no período (2005/2015);

299,6% foi o aumento da taxa de homicídios de jovens (2005/2015);

331,8% foi aumento do índice de vitimização de negros no estado potiguar entre 2005 e 2015;

124,4% foi aumento do índice de vitimização de mulheres no RN entre 2005 e 2015;

Fonte: Atlas da Violência 2017 / IPEA - TRIBUNA DO NORTE.

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