POR DISPUTA PELO CONTROLE DA ROCINHA, ROGÉRIO 157 ENCOMENDOU ARMAS IMPORTADAS

08:24:00




A Polícia Civil descobriu que Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, encomendou armas e munição de países europeus e dos Estados Unidos para disputar o controle da venda de drogas na Rocinha com seu antigo chefe, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Os investigadores checam denúncias de que o criminoso se preparava, desde o início do ano, para o conflito que explodiria no dia 17 deste mês, investindo alto em armamento, principalmente fuzis. As forças de segurança buscam um paiol enterrado na mata da comunidade.

As suspeitas sobre a importação de armas, que estariam chegando ao morro inclusive pela Via Dutra, aumentaram no último dia 10, apenas uma semana antes do início dos confrontos. Um carregamento avaliado em R$ 500 mil, que era levado para a Rocinha, foi interceptado na rodovia. A carga consistia em uma pistola e três fuzis, produzidos na Bélgica e na Romênia. Seria apenas uma parte do arsenal que Rogério vinha reunindo. Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou um projeto que inclui o porte ilegal de armas de fogo de uso restrito, como fuzis e metralhadoras, no rol de crimes hediondos.


A apreensão de uma parte do arsenal da Rocinha foi feita por equipes da Delegacia Especializada em Armas, Munição e Explosivos (Desarme) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). As armas e cápsulas estavam numa Parati, que havia partido de São Paulo. O motorista do carro foi preso e confessou que levava o material para Rogério 157. Durante a invasão da Rocinha pelo bando de Nem, dezenas de homens carregando fuzis foram flagrados por câmeras de segurança — a Polícia Civil informou que já identificou 59 bandidos envolvidos na guerra do tráfico. A Desarme abriu um inquérito para apurar como as armas chegaram à comunidade.

Desde a última sexta-feira, quando tiveram início as operações conjuntas das polícias Civil e Militar e das Forças Armadas na Rocinha, 23 fuzis foram apreendidos. Ontem, enquanto agentes faziam mais buscas na favela, parentes de traficantes abandonaram suas casas.

Em Brasília, com o aval da CCJ, o projeto que torna crime hediondo o porte de armas de uso restrito vai, agora, à votação no plenário do Senado. O relator da proposta, senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), afirmou que a posse ilegal de armas que só podem ser usadas por militares, órgãos de segurança ou pessoas devidamente habilitadas pelo Exército representam uma grave ameaça à população, o que justifica considerá-la um crime hediondo. Pela lei, tal classificação permite um prazo de prisão temporária maior (até 30 dias, prorrogável por igual período) e impede que o preso tenha direito à liberdade provisória, entre outras punições.

A CCJ rejeitou emendas da Câmara e aprovou o projeto original, que já havia passado pelo Senado em 2015. O relator considerou que era melhor manter na proposta que as medidas se aplicam a qualquer armamento restrito, sem especificar, como queriam os deputados, que deveriam ser fuzis, metralhadoras e submetralhadoras.

O GLOBO

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