“É muito fácil mandar cumprir”, desabafa Robinson sobre Justiça ordenar pagamentos de duodécimos

05:19:00




O governador Robinson Faria, em tom de desabafo, comentou nesta quarta-feira, 29, que considerou “precipitada” as três decisões do Tribunal de Justiça, tomadas por três desembargadores diferentes, de mandar o Governo do Estado pagar os duodécimos devidos pelo Executivo ao Ministério Público, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa.

“Em outros estados do país, que também atravessam crise, houve uma compreensão dos poderes e da sociedade – que se organizaram para salvar o Estado. Acho que deve haver este sentimento aqui também”, lamentou Robinson durante solenidade comemorativa aos 100 anos de existência do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte.

O governador lembrou que ele próprio propôs na semana passada uma reunião no Ministério Público com o procurador-geral de Justiça e os demais representantes dos poderes para discutir os débitos do Executivo de duodécimos, mas que as decisões judiciais atropelaram os acontecimentos.



“Não se trata dos poderes, mas de uma política de Estado. Então, é muito fácil o poder Judiciário mandar o governo cumprir, mas eu pergunto: como é que eu vou cumprir? Onde está o dinheiro para cumprir?”, indagou o governador ao convidar os Poderes, juntamente com o Executivo, a abrir seus extratos de conta.

Robinson Faria desabafou: “Se eu não estou cumprindo, também não estou pagando o servidor. O servidor deles (Poder Judiciário) está em dia; o que está atrasado é o meu, do Poder Executivo, o mesmo poder que paga o hospital, que paga a estrada, que paga o enfrentamento da seca, que paga os remédios para o hospital. Quem tem o maior arcabouço de despesas é o Executivo. O Executivo tem o pessoal e as despesas de custeio que são gigantescas. Então, acho que temos que ter um momento de desarmamento, temos que pensar grande, sou uma pessoa que é do diálogo, apenas eu faço um pequeno comentário: essas ações poderiam não ter acontecido”.

Robinson reconheceu o direitos dos Poderes de protestar, já que o repasse dos duodécimos é constitucional e ele não pode ir contra a Constituição, “mas tem que ver a situação do Estado”. E asseverou: “Acho que temos que ter essa compreensão. Não estou criticando, não estou debatendo, fazendo um debate pela imprensa, mas acho que eles (Judiciário) poderiam ter tido um pouco mais de paciência porque a boa vontade do governo sempre existiu e nunca deixou de repassar os duodécimos quando podia”.

Lembrou que vive permanentemente uma escolha de Sofia. “Se passarmos dinheiro para os Poderes, não repassamos para os servidores. Se passo para o servidores, não repasso para os poderes. Então, não pago hospital, não pago os médicos, não pago as cooperativas, falta dinheiro para as cirurgias eletivas…então o governador vive nesse dilema, nessa escolha de Sofia 24 horas. Então é uma gestão de crise”.

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