Falta verba para construir adutoras

08:37:00




Com capacidade para aproximadamente 2,4 bilhões de metros cúbicos (m³), a barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves atualmente possui pouco mais de 321 milhões de m³ em suas reservas, apenas 13,4% de sua capacidade, e vai atingir, segundo prognósticos do Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (Igarn), o volume morto no próximo mês. Sem verba suficiente para colocar em prática projetos que amenizariam a situação, as 33 cidades que dependem da água desse reservatório podem sofrer ainda mais com os efeitos da seca severa que castiga o interior do Rio Grande do Norte há seis anos.

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves possui pouco mais de 321 milhões de m³ em suas reservas, apenas 13,4% de sua capacidade

A barragem, que também abastece 50 comunidades através de cinco adutoras, aguarda chuvas para alguma recuperação do manancial. Conforme explicação de do diretor-presidente do Igarn, Josivan Cardoso, existem dois projetos elaborados pelo Governo do Estado, que trabalha com a possibilidade de volume morto da barragem há dois anos. Um deles é a mudança do ponto de captação do Rio-Piranhas Açu para dentro da barragem, projeto que custa R$ 22 milhões. O outro são os poços subterrâneos, que foram perfurados pelo Estado com verba própria, mas dependem da construção de uma adutora para que a água seja levada de Almino Afonso para Pendências, e a partir daí seja distribuída.

Somados, os dois projetos custam R$ 88 milhões e dependem exclusivamente de liberação de recursos por parte do Ministério da Integração. Segundo Josivan Cardoso, a verba já teria sido liberada, mas ainda não foi depositava. “Atuamos com campanhas frequentes de vistoria para tentar postegar com a intenção de chegar até inverno com reserva. Estamos há 6 anos co seca e todo tipo de economia é bem vinda”, disse Cardoso.

Com a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves em volume morte, a situação se seca se torna mais crítica principalmente para as cidades que compreendem a região salineira. Conforme prognóstico de Josivan Cardoso, as populações das cidades de Alto do Rodrigues, Pendências, Carnaubais, Macau, e Guamaré, vão sentir “impacto forte”, podendo entrar em colapso a qualquer momento. “Isso ocorre pois a captação de água para estas cidades está pelo menos 70 km distante da Armando Ribeiro e quanto mais distante, pior é para pegar água”, definiu Cardoso.

Também chamado de Reserva Técnica de Água, o volume morto representa uma reserva mais profunda da barragem, que fica em um nível inferior ao dos canos de captação dos quais normalmente se retira a água que será utilizada. Ao atingir o volume morto, a água passa a necessitar da ajuda de bombas para ser utilizada, gerando maiores gastos de energia e dificultando também seu tratamento. “Ele [o volume morto] não indica que não teremos reservas de água, mas sim que haverá maior dificuldade em captar essa água para que ela possa ser utilizada, aumentando gastos de energia, equipamentos e manutenção”, disse o diretor do Igarn.

“Muitos confundem o volume morto com o colapso da barragem, mas são duas coisas bem diferentes. Caso entre em volume morto, ainda teremos uma quantidade enorme de água, equivalente a barragem de Umari cheia, pois estamos tratando de uma barragem de imensas proporções”, completou. Apesar de não simbolizar o fim do abastecimento, os baixos níveis da barragem preocupam e levaram a Agência Nacional de Águas (ANA), responsável pela gestão da barragem, e o Igarn a lançar a Resolução Conjunta nº 1.932, de 30 de outubro de 2017 que, considerando a seca no semiárido, busca “estabelecer regras de restrição de uso da água para as captações situadas no Rio Açu, a jusante do Açude Armando Ribeiro Gonçalves”, de acordo com o próprio documento.

Os sistemas de captação de água do açude atendem finalidades que vão desde o consumo humano e animal à irrigação e aquicultura. Além disso, a barragem possui uma função importante que é perenizar o rio Piranhas-Açu, maior bacia hidrográfica do Estado que nasce na Serra de Piancó, no estado da Paraíba.

Números

13,4% é o nível da barragem em Novembro de 2017;

2,4 bilhões de m³ é a capacidade da barragem;

321,689 milhões de m³ é o volume da barragem hoje;

5m³/s é a vazão da barragem atualmente;

1 a 1,5 cm é o volume de água que decai diariamente do reservatório.

Cidades abastecidas com água do Armando Ribeiro Gonçalves

Adutora Médio Oeste

1. Triunfo Potiguar (rodízio)

2. Paraú (rodízio)

3. Campo Grande (rodízio)

4. Janduís (rodízio)

5. Messias Targino (rodízio)

6. Patu. E comunidades da Serra de João do Vale (rodízio)

Adutora Serra de Santana

7. Tenente Laurentino Cruz (rodízio)

8. São Vicente (rodízio)

9. Lagoa Nova (rodízio)

10. Bodó (colapso)

11. Cerro Corá (rodízio)

12. Florânia e Comunidades Rurais (rodízio)

13. São Rafael (colapso na Zona Rural)

14. Santana do Matos (colapso na Zona Rural)

15. Jucurutu (sistema funciona ininterruptamente, mas com alternância entre os bairros)

Adutora Jerônimo Rosado

16. Mossoró (30%)

17. Assú

18. Serra do Mel e Comunidades Rurais

Adutora Sertão Central Cabugi

19. Angicos (abastecimento suspenso todas as quartas e quintas-feiras.)

20. Fernando Pedrosa (abastecimento suspenso todas as quartas e quintas-feiras)

21. Lajes (parada: quarta e domingo – o dia todo. Sistema fechado para que a água seja direcionada para as comunidades de Firmamento e Três de agosto, conforme acordo com o Ministério Público)

22. Pedro Avelino (abastecimento suspenso todas as quartas e quintas-feiras)

23. Caiçara do Rio dos Ventos (parada: Todos os dias – 17h às 7h30)

24. Riachuelo (abastecida por um sistema de rodízio entre bairros -manobras internas)

25. Pedra Preta (parada: quarta e domingo – o dia todo)

26. Jardim de Angicos e comunidades ao longo da adutora (abastecida em sistema de rodízio entre bairros - manobras internas)

Adutora Pendências-Macau

27. Macau (abastecimento funciona 48 horas e para 12 horas)

28. Pendências

29. Guamaré (funciona 24 horas e para 24 horas)

30. Alto do Rodrigues (funciona 48 horas e para 24 horas)

Adutora de Caicó

31. Caicó (rodízio)

32. Timbaúba dos Batistas

33. Currais Novos (Colapso)


Tribuna do Norte 


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