Visitas de estrangeiros caem 75% no RN

07:42:00



Tribuan do Norte

Com uma queda de 75,1% no número de turistas internacionais ao longo da última década, o turismo no Rio Grande do Norte vive uma nova fase. Há anos consolidado com uma importante atividade econômica, que representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, movimentando cerca de R$ 3 bilhões anualmente, o turismo tenta se reinventar para estabilizar sua curva de crescimento para além da alta estação, estabelecendo o Rio Grande do Norte como destino de negócios e apostando em novas iniciativas para fugir do roteiro “sol e mar” pelo qual o Estado já é conhecido.

O Estado, que teve um crescimento significativo no número de turistas internacionais entre 2001 e 2005, começou a vivenciar uma queda drástica a partir de 2006, que foi se acentuando nos anos seguintes: de cerca de 117.688 turistas internacionais em 2006, o número caiu para para 29.355 em 2016. Nem a Copa do Mundo, em 2014, conseguiu trazer uma mudança significativa ao quadro, de acordo com os dados que foram concedidos pela Embratur.

As causas da queda de visitas de turistas estrangeiros foram principalmente externos, como a crise econômica de 2005 e as oscilações de cotação das moedas estrangeiras

Os motivos da queda, de acordo com o coordenador da Câmara de Turismo da Federação do Comércio do RN (Fecomercio/RN), George Gosson, foram principalmente externos, com a forte crise internacional que atingiu Europa e Estados Unidos em 2005 e as oscilações de cotação das moedas estrangeiras. “Algumas medidas internas, caso tivessem sido tomadas, poderiam ter amenizado esse quadro, como investimentos na urbanização de nossos principais cartões postais, limpeza urbana e segurança para os visitantes”, ressalta Gossom.

A redução do turismo internacional, no entanto, veio acompanhada de um aumento significativo do turismo doméstico, que em 2012 já representava 87,9% do fluxo de turistas do RN na alta estação, de acordo com pesquisas realizada pela Fecomercio. Desde então, o perfil do turista no Rio Grande do Norte se mantem: são basicamente paulistas, mineiros e cariocas, entre 36 e 50 anos e com gastos médios de pouco mais de R$ 200,00 por dia.

Apesar de já saber os principais interesses desse público e do Estado receber avaliações majoritariamente positivas dos turistas – em média 94,9% dos visitantes classificaram o RN como “bom ou excelente” na avaliação geral -, os empresários do setor se preocupam em estabilizar a curva de crescimento, superar definitivamente o período de crise e consolidar outros atrativos turísticos. Para eles, o novo perfil demanda um calendário de eventos culturais consistente, oferta de entretenimento e um elevado grau de urbanização, especialmente na capital.

Atuando há mais de 20 anos no ramo de restaurantes em Natal, o empresário e presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no RN (Abrasel), Max Fonseca, conta que sentiu o peso da crise na clientela do restaurante, que é constituída em 80% por turistas “Sinto que agora paramos a fase de sangria. A queda, que vinha em média de 7% agora está entre 1% e 2%. O fluxo este ano está melhor que no ano passado, mas precisamos de uma consistência econômica maior, especialmente do turista que vem para Natal. Isso, é claro, só vem com investimentos voltados para poder atrair esta clientela, que procura um turismo não apenas de sol e mar, mas também de charme, com atrativos", diz Max, que também é proprietário do restaurante Chopp & Camarão.

De acordo com os dados de movimento de passageiros no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, no mês de janeiro, auge da chamada “alta estação”, cerca de 300 mil pessoas circulam pelo aeroporto. Já nos meses de abril, maio e junho, esse número se reduz para pouco mais de 150 mil. De acordo com George Gossom, na prática, isso representa uma ociosidade considerável, de quase 50% no turismo durante este período. “Não se trata apenas de rede hoteleira. O turismo é uma cadeia, então são menos pessoas nos restaurantes, menos pessoas circulando nos centros de artesanato, utilizando serviços de táxi”, explica.

Números

117.688 foi o número de turistas internacionais no Rio Grande do Norte em 2006, de acordo com o relatório de Dados e Fatos do Ministério do Turismo. Neste ano, Portugal foi o país que mais enviou turistas ao Estado (32.638).

29.355 foi o número de turistas internacionais no Estado em 2016, de acordo com a mesma fonte. Neste ano, o país que mais enviou turistas ao RN foi a Argentina (7.683).

R$ 235,16 foi o valor médio gasto diariamente pelos turistas no Rio Grande do Norte em 2017, durante a alta estação, valor 12,8% superior ao mesmo período em 2016.

79,7% dos turistas que vem para o Estado são brasileiros, vindo principalmente de São Paulo (35,2%), Rio de Janeiro (11,2%) e Minas Gerais (5,9%).

15º é o lugar do Rio Grande do Norte no ranking de destinos mais procurados pelos turistas internacionais no Brasil, de acordo com o Ministério do Turismo.

75 municípios fazem parte do Mapa do Turismo do Rio Grande do Norte. Desses, 16 estão nas categorias A,B e C do Ministério do Turismo, que representam aqueles que concentram o fluxo de turistas domésticos e internacionais. Os demais 59 municípios figuram nas categorias D e E, que possuem papel importante no fluxo turístico regional.

R$ 3 bilhões é o valor médio movimentado pelo setor anualmente no Estado, o que representa aproximadamente 8% do PIB.

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