“Maconha é avanço no tratamento da epilepsia”, diz mãe de paciente após liberação

06:24:00



A decisão proferida pela Justiça Federal na última segunda-feira, 6, que obriga União, Estado do RN e Municípios de Natal e Parnamirim a fornecerem o “Hemp Oil (RSHO) – Canabidiol (CBD)” a todos os pacientes que comprovem a necessidade de uso através de receituário médico foi considerada uma grande vitória para os pais de pacientes que possuem epilepsia refratária, uma das enfermidades que, comprovadamente, podem ser tratadas com a substância presente na Cannabis.


Exemplo que comprova a benfeitoria aplicada pelo judiciário brasileiro é o de Lusia Saraiva, 46 anos. A filha dela, batizada de Maria Flor, 7, possui o nível refratário da epilepsia e já fez tratamento com CBD, mas teve que interromper devido aos custos altos do medicamento. Agora, com a obrigatoriedade do poder público em fornecê-lo, ela aguarda apenas que a medida comece a ser cumprida para colher as doses necessárias à sua filha, que sente falta do medicamento já utilizado em seu tratamento.


“Desde que procuramos o Ministério Público para nos ajudar a cobrar essa obrigatoriedade do fornecimento, nós (familiares) sabíamos que essa seria uma ação fundamental. Atualmente eu tenho a receita e também o laudo médico autorizando a minha filha a tomar o medicamento, mas não tenho condições de arcar com os custos – que são altos. Posso considerar essa vitória muito importante para a saúde não só da minha filha, como também dos demais pacientes que precisam da substância. Só tenho a comemorar”, celebrou ao Agora RN.


De acordo com Lusia, o uso do Canabidiol no Brasil, todavia, ainda precisa vencer um tabu de preconceito muito grande que é alimentado pela proibição da maconha. No entanto, a decisão judicial desta semana tende a melhorar esse cenário principalmente no tocante ao uso medicinal da planta. “O Brasil ainda não evoluiu e não sabe que a maconha é uma planta com um poder medicinal muito grande. Considero o uso dela um grande avanço para o tratamento da epilepsia refratária, inclusive sendo a melhor opção. Foi uma grande vitória”, completou.


Além da família de Lusia, cerca de 9 outras procuraram o Ministério Público do RN para auxiliá-las na luta pelo fornecimento público do CBD. O órgão estadual, por sua vez, acatou o apelo dos familiares e ingressou com a ação, resultando no final feliz divulgado nesta semana. Vale lembrar que o uso Canabidiol para tratamento de epilepsias refratárias é aprovado pelo Conselho Federal de Medicina desde 2014, sendo ela uma substância reconhecida e devidamente controlada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

AGORA JORNAL

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